sábado, 15 de outubro de 2011
Um panorama geral.
Baseado na ideia de traição, um dos temas mais antigos da literatura (e tema central da literatura realista), em nenhum momento o narrador dá a prova cabal de que Capitu tenha de fato traído Bentinho com Escobar. No entanto, tal fato vem sugerido subliminarmente ao longo de todo romance. O adultério de Capitu nunca foi totalmente esclarecido para o leitor, pois o próprio narrador-personagem apresenta ao longo da história uma série de indícios, provas e contraprovas, a favor e contra Capitu. Por exemplo, diz-nos que Capitu é parecidíssima com a mãe de Sancha, sem haver qualquer parentesco entre elas. Tal semelhança é acentuada em um episódio: aquele no qual a prima Justina, para causar ciúmes em Bentinho, insinua que Capitu teria ido à casa de Sancha para namorar, sendo que na verdade ela fora visitar a amiga doente. Quando da entrada de Bento na casa do velho Gurgel, este lhe assegura o estado da filha e comenta sobre a semelhança entre Capitu e sua falecida mulher, quebrando as expectativas de Bento em flagrar alguma traição.
Conclui-se que por meio da narração não há como confirmar se houve ou não adultério. Os fatos narrados deixam dúvidas, pois a semelhança de Ezequiel com Escobar e o fato de Escobar ser muito amigo de Capitu levam o leitor a pensar que houve traição. Por outro lado, a relação de Capitu e Escobar poderia ser fraternal, e não carnal. Já o amor da moça do Bentinho desde infância e a sua luta por ele, além do fato de não haver flagrante da traição, levam o leitor a acreditar na fidelidade. O leitor pode supor que Bentinho fosse ciumento e imaginasse alguns fatos. Nada se comprova, pois sendo Bentinho o próprio narrador, seu relato é parcial e interessado. Nossa única certeza é a dúvida.
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